25 de agosto de 2016

A fonte de Cascudinho

                                 
João Gothardo Dantas Emerenciano

   Há uma década adquiri no sebo “Cata Livros”, de Jácio Torres, na época localizado à Rua Voluntários Da Pátria, o “Livro de Registro dos Dados Biográficos de Brasileiros Ilustres” de 1913.
   Recebi como pagamento do comercial veiculado no jornal O Potiguar, que era dirigido por mim, editado pelo jornalista Moura Neto, com a participação do poeta Carlos Frederico Lucas O. L. da Câmara, como gerente comercial do periódico.
   A brochura foi localizada por Carlos Frederico que levou para a redação de O Potiguar, afirmando que continha informações sobre o poeta Gothardo Neto e seu avô, professor José Gothardo Emerenciano, meus antepassados.
   Ao examinar o manuscrito fiquei surpreso ao constatar que o trabalho tinha sido realizado pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, atendendo uma solicitação do escritor Liberato Bittencourt, com introdução do presidente Vicente Simões Pereira de Lemos, datado de 16 de novembro de 1913, reunindo 112 perfis biográficos.
   A pesquisa que apresenta mais de uma caligrafia e diferentes tonalidades de tinta resgata figuras representativas do período colonial, monárquico e da florescente república, iniciando com o capitão - mor Jerônimo de Albuquerque considerado o fundador da cidade do Natal.
   Nas páginas amareladas pelo tempo estão listados capitães-mores, presidentes da província, políticos de diversas facções, principalmente dos partidos Liberal e Conservador com integrantes dos Cantões da Gameleira e da Botica (Bonifácio Francisco Pinheiro da Câmara, Joaquim Guilherme de Souza Caldas, padre João Manuel de Carvalho, Francisco Amintas da Costa Barros).
   Personagens da revolução de 1817 - André de Albuquerque Maranhão, Clara de Castro, padres Feliciano José Dornelas, João Damasceno Xavier Carneiro, Gonçalo Borges de Andrade – e heróis da guerra do Paraguai João da Fonseca Varela, Francisco de Paula Moreira Fernandes, José Pedro de Oliveira Galvão, Antônio da Rocha Bezerra Cavalcanti, Alexandre Baraúna Mossoró e os irmãos João Perceval Lins Caldas e Ulisses Olegário Lins Caldas são destacados.
   Patriarcas de antigas famílias sertanejas representados pelo capitão Tomás de Araújo Pereira, primeiro presidente nomeado para o Rio Grande do Norte, capitão-mor Cipriano Lopes Galvão, fundador do município de Currais Novos, Manuel Pereira Monteiro, fundador do município de Serra Negra do Norte, José Bernardo de Medeiros, Senador do Império e integrantes da Guarda Nacional, alguns com título nobiliárquico – coronel Manuel Varela do Nascimento, barão de Ceará - Mirim e o Conselheiro Imperial Luiz Gonzaga de Brito Guerra, barão de Assú, convivem com personalidades de movimentos libertários como o baiano radicado em Natal Cipriano José Barata de Almeida e o potiguar Almino Álvares Afonso, grande tribuno da Abolição da Escravatura.
   O pioneirismo de Dom Joaquim Antônio de Almeida, primeiro bispo de Natal, de Luiz Carlos Lins Wanderley e Daniel Pedro Ferro Cardoso, primeiros norte-rio-grandenses a se formar, respectivamente, em medicina e engenharia e o espírito empreendedor do comerciante Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão é enfatizado, bem como a trajetória do padre João Maria Cavalcanti de Brito, considerado o Santo de Natal, do seu irmão Amaro Bezerra Cavalcanti, Ministro do Supremo Tribunal Federal, e do bacharel e jornalista Braz Andrade de Melo, redator do jornal A República.
   A literatura está representada pela escritora Nísia Floresta Brasileira Augusta, dramaturgo Luiz Carlos Lins Wanderley, crítico literário Antônio Marinho Pessoa, historiadores Luiz Fernandes Sobrinho e Vicente Simões Pereira de Lemos e os poetas Alípio Bandeira, José Moreira Brandão Castelo Branco, Elias Antônio Ferreira Souto,José Leão Ferreira Souto, Miguel Arcanjo Lins de Albuquerque, Adalberto Peregrino da Rocha Fagundes, Joaquim Cândido da Costa Pereira, Joaquim Fagundes, José Teófilo Barbosa, Honório Carrilho da Fonseca e Silva, Cícero Virgílio Teixeira de Moura, José Gotardo Emerenciano Neto e apoetisa Auta de Souza, notando-se a ausência de Lourival Açucena , Manuel Segundo Wanderley e  Manoel Virgílio Ferreira Itajubá.
  Manuel Liberato Bittencourt (1869-1948) era general do exército, jornalista, crítico literário, poeta, autor de várias obras, destacando-se Nova História da Literatura Brasileira, Duas Dezenas de Imortais, Flores e Mágoas, Academia Brasileira De Letras, em dois volumes, Ramos do Saber eCritica e Filosofia.
  É patrono da cadeira 29 da Academia Catarinense de Letras, tendo sido sócio do Instituto de Geografia e História Militar e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, admitido com a obra Psicologia do Barão do Rio Branco, e sócio honorário do de Sergipe e correspondente dos Institutos da Paraíba e de Pernambuco. Foi sócio da Academia Metropolitana de Letras e da Paranaense José de Alencar, tendo sido membro da Federação das Academias e da Sociedade de Filosofia e da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro.
   Foi condecorado com a Medalha de Mérito Cientifico da Academia de Palermo e com a de prata e de ouro de Mérito Militar.
   O objetivo do ilustre escritor era dar continuidade a obra:Brasileiros Ilustres, no qual vinha pedindo ajuda aos intelectuais e instituições estaduais desde 1912, sendo Homens do Brasil – Sergipe editado em 1913 pela Livraria Gomes Pereira e reeditado em 1917 pela Tipografia Mascote, o primeiro volume da série. Em 1914 foi publicado no Rio de Janeiro Homens do Brasil, vol. II - Paraibanos Ilustres pela mesma editora.
   Tudo leva a crer que o estudo pioneiro e sistemático de personalidades do Rio Grande do Norte não foi enviado ao escritor catarinense para satisfação futura de Luís da Câmara Cascudo que certamente a utilizou para a elaboração de suas admiráveis Actas Diurnas - berçário de O Livro das Velhas Figuras - encontrando-a provavelmente na década de 30.

Referências:
 CÂMARA, Adauto Da. Diversos & Dispersos. Rio de Janeiro: [s.n.], 1998
CASCUDO, Luís da Câmara. O Livro das Velhas Figuras. (Org. Enélio Lima Petrovich). Natal: IHGRN, 1974, V.1
EMERENCIANO, João Gothardo Dantas. Os Cantões. O Potiguar, Natal, ano I, n.5, abril / maio 1998
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE. Livro de Registro dos Dados Biográficos de Brasileiros Ilustres. Natal, 1913
WANDERLEY, Rômulo. Panorama da Poesia Norte-rio-grandense. Rio de Janeiro: Edições do Val, 1965
 /http://www.poetaslivres.com.br/poeta.php?codigo=94
Clientes. Infonet.com.br/...Brasileiros % 20 - % Ilustres % 20 Sergipe.doc.



           







CLARA CAMARÃO

Jurandyr Navarro

Mulher do índio Poty, este conhecido, depois, por Dom Antônio Felipe Camarão. Receberam, ambos ensinamentos e a catequese de padres da Igreja Católica, que evangelizaram o Brasil, nos primórdios da sua formação histórica.
Clara Camarão combateu bravamente os invasores batavos no vizinho Estado de Pernambuco à frente de um grupo de guerrilheiras.
Assinala Domingos de Loretto, citado no excelente livro "Personalidades Históri­cas do Rio Grande do Norte", editado pela "Fundação José Augusto", que Clara Cama­rão,"armada de espada e broquel e montada a cavalo, foi vista nos conflitos mais arriscados... com admiração dos holandeses e o aplauso dos nossos". Parecia ouvir, na arrojada cavalgada, os cantos de guerra de uma nova Débora bíblica, incitando todos à vitória.
Clara foi destemida no combate armado, lembrando Artemira, capitã do formidá­vel exército de Xerxes - soberana de Halicarnasso, que tomou a chefia de cinco galeras, contra Atenas.
Verbete sobre Clara Camarão do livro "Dicionário Mulheres do Brasil" (de 1.500 até a atualidade), (Scumaher e Brazil, 2000, pág. 160), registra:

"Quando a sorte virou contra os portugueses, Clara Cama­rão esteve na frente de batalha, defendendo as posições milita­res e a população civil, que, abandonando as propriedades, e as cidades, veio refugiar-se atrás das linhas de Matias de Albuquerque, Felipe Camarão e Henrique Dias (...) Na batalha de Porto Calvo, o comandante Henrique Dias foi ferido, perden­do uma das mãos. Felipe Camarão assumiu o comando da tro­pa, apoiado por Clara. Ela foi também uma das heroínas de Tejucupapo, no litoral pernambucano onde as mulheres mostra­ram bravura na resistência ao domínio holandês.

Fragmento de texto, citado por Rejane Cardoso, às páginas 163, do monumental livro "400 Anos de Natal", editado pela Prefeitura, trecho extraído do livro "Brasileiras Célebres" (Norberto Silva, 1862), expõe:

"Dona Clara Camarão não é uma dessas descendentes dos conquistadores portugueses, que se pudesse vangloriar de um nascimento ilustre, mas uma indiana gerada nos bosques brasileiros nascida na taba, ou rústica cabana, levantada por seus pais, sobre a rede de algodão, trançada por sua mãe, como indi­cava a tez avermelhada, como dizia o perfil e os contornos de seu rosto, como denunciavam seus negros e acanhados olhos, e seus cabelos corredios e espargidios pelos hombros".

Significando dizer que a sua origem é genuinamente brasileira, de sangue indíge­na, da clã primitiva que primeiramente povoou as terras; e, depois, moldou o caldeamento das três raças.
Foi assim o nascimento e a posterior atuaçâo corajosa e heróica de Clara Cama­rão, a célebre Guerreira do Rio Grande do Norte. Assim se exibiu a vida simples e altiva
da destemida e intemerata mulher potiguar, uma imagem marcante do nosso nativismo,
a primeira Mulher representante desse nativismo, entre nós, que é a "forma precursora
de nacionalismo, sentimento de aversão ao estrangeiro invasor, sentimento de estima e
amor ao meio nativo".
A fibra hercúlea de Clara Camarão se compara à de Maria Quitéria - a primeira Mulher (disfarçada de uniforme) a participar em combate numa unidade militar no Brasil
que, século e meio adiante, tornou-se heroína no Recôncavo Baiano, na luta contra os
portugueses, pela Independência da pátria brasileira; tendo sido condecorada, no ano
de 1923, pelo então Imperador Dom Pedro
I com a insígnia de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul. E, posteriormente, por Decreto do atual Governo Henrique
Cardoso, reconhecida como Patrono do Quadro Complementar de Oficiais do Exército
Brasileiro.
Ambas morreram no anonimato.
Igualmente lembra, a coragem de Clara Camarão, à revolucionária catarinense Anita Garibaldi que, no século XIX, participou ativamente da Revolta dos Farrapos e da campanha da unificação italiana. Anita, pela sua bravura na Batalha Gianícolo, credenciou-se, na História, como mulher vocacionada para a carreira das armas.
A bravura de Clara serviu de exemplo às duas brasileiras - à catarinense e à baiana, mencionadas - por elegerem, como desígnio de vida, o signo de Marte.
Recebeu, Clara Camarão, por sua conduta elogiável, do poder político vigente à época, distinções de regalias com título de Dona e do Hábito de Cristo.
A sua coragem e audácia fizeram com que a nossa formação histórica tivesse uma das suas páginas heróicas, escrita, também, com o generoso sangue indígena.
O seu contributo valioso de mulher desassombrada se impõe à admiração dos seus compatriotas do século vinte e um, como uma das expressões individuais mais marcantes da história rio-grandense-do-norte.



MÁXIMO MEDEIROS
Natural do município rio-grandense-do-norte de "Augusto Severo", da chamada tromba do elefante, fez os seus estudos iniciais em ambiente social modesto; continuan­do, depois, na progressiva cidade de Mossoró, deste Estado.
Desde cedo ostentou capacidade intelectual, aprendendo com relativa facilidade as disciplinas dos cursos primário e ginasial. Esse aprendizado capacitou-o a sua habi­litação ao vestibular em Medicina, na velha Faculdade do Derby, no Recife.
Esta foi a prova de fogo, como se chama, de Máximo Medeiros Filho, o potiguar de origem modesta que saiu do seu Estado para enfrentar os formidáveis desafios da Ciên­cia!
E saiu bem neste primeiro teste, estágio limiar para atingir outros, no Brasil e foradele.
O vestibular enfrentado por Máximo Medeiros foi o mais difícil até então realizado em Medicina, na Mauricéia. Apenas dez por cento dos candidatos foi aprovado. E, mesmo assim, enfrentando uma Banca com Bezerra Coutinho, examinando Biologia, ele, o humilde potiguar, foi aprovado em oitavo lugar.
Daí em diante a vida de Máximo foi uma verdadeira odisseia, transpondo obstácu­los os mais difíceis, numa jornada longa, perlustrando uma estrada juncada de espi­nhos.
Sintetizamo-la, através de algumas passagens do livro intitulado: "Lembrando Máximo Medeiros Filho",do autor Carlos Ernani Rosado Soares, o seu "amigo há qua­renta anos".
Com a palavra, o erudito autor:
"O campo dos radioisótopos lhe daria o renome internacio­nal"^... ) 'Tinha pendor pela Matemática e a Física". (...) A lição que Máximo Medeiros nos deu em vida continua após a sua mor­te. Lição de capacidade profissional, de cultura geral; porém, mais que tudo, lição de humanidade: honestidade, caráter, bondade, simplicidade, calor humano, tudo era transmitido por sua encan­tadora personalidade que se impunha sem se fazer notar".
(...) Máximo veio para Natal, prosseguir seus estudos, e o fez de modo caracte­risticamente brilhante. Eu me lembrava de tê-lo visto em uma fotografia, dessa época, ao lado de José Eufrânio, Moacyr de Góes, Ubiratan Galvão e outros. E foi a Ubiratan que recorri, em função da amizade e parentesco afim, obtendo dele o seguinte comen­tário:
'Máximo é um génio'.
Em 1962, conseguiu uma bolsa em Radiobiologia na Universidade da Califórnia, através da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Ficaria no Donner Laboratory of Biophisics, de setembro deste ano a junho do seguinte. Foram propostos sete candida­tos e apenas três aceitos, tendo Máximo ficado em primeiro lugar ( ... ) Insistia em receber velhos livros do Cónego Luiz Monte, de quem era grande admirador, incluindo
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um que ele sabia ter existência, de Biologia, e que teria sido publicado para uso nos Seminários.( ... ) Enviava-me o Jornal Brasileiro de Medicina Nuclear onde ele tinha trabalho publicado, bem como Separata da Ata Hematológica, idem,idem. ( ... ) Em 1967 representou o Brasil em Viena, num Simpósio Internacional sobre Dinâmica de Proteínas Marcadas, e que em carta ressaltou: - 'Foi uma reunião de alto nível de "set" internacional que trabalha atualmente em D. de P. M., se você me permite falar assim. Basta dizer que estavam presentes McFarlane (inglês, considerado presentemente a maior autoridade mundial em gamaglobulina); Waterlow (um inglês extraordinário, de cachimbo na boca, daquele jeito que você bem conhece), Jeejeebhoy, indiano, autorida­de internacional em assuntos relacionados com perda proteica por via gastrointestinal..."
São tópicos, apenas, desse grande livro de Ernani Rosado que retrata o cientista Máximo Medeiros, seu amigo e nosso conterrâneo, para orgulho do Rio Grande do Norte.
Ernani Rosado, para quem não sabe, é um dos valores mais destacados da Medi­cina Brasileira, sendo Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões; autor do Tra­balho, dentre outros, "Pós-operatório sem Antibioticoterapia Profilática".
O Doutor Ernani Rosado foi aprovado em primeiro lugar no vestibular de Medicina, sendo o melhor aluno da sua Turma e escolhido o seu Orador, na sua Diplomaçao como Médico, em Recife.
Ele e Vingt-Un Rosado são os dois biógrafos do cientista Máximo Medeiros Filho.
Como frisou Ernani Rosado e adiante se verá nas paginas de Vingt-Un Rosado, o que imortalizou o nome de Máximo Medeiros, na Comunidade Científica Internacional, foi o de ter tomado parte integrante da Reunião, em Viena, da Agência de Energia Atómica, em outubro de 1967, aos trinta e seis anos de idade. Foi ele o único represen­tante do Brasil e um dos dois da América Latina.
A sua escolha foi feita, pessoalmente, pelo Professor Ernest Belcher, então Dire-tor daquela Agência científica internacional.
Conheci Máximo Medeiros no Recife. Foi meu contemporâneo de Universidade. Ele, fazendo Medicina, e eu, Direito. Terminamos o Curso no mesmo ano: 1956. O seu nome despontou, para nós, do Rio Grande do Norte, desde o vestibular: havia a curiosi­dade de se saber os aprovados de Natal. E Máximo estava na lista dos aprovados da famosa Faculdade do Derby, no exame vestibular mais apertado da sua história, até então.
Passou-se o tempo. No início do ano de 1980, recebo dele, uma carta atenciosa, do Rio de Janeiro, adiante transcrita, sobre um assunto científico estudado pelo Padre Luiz Monte, inserido na Antologia por mim organizada, cujo teor se vê em sequência, uma espécie de depoimento expressado por Máximo Medeiros em relação ao saber científico do mencionado sacerdote, pertinente à Fisiologia.

Mesmo tendo vivido apenas quarenta e nove anos de idade, Máximo Medeiros Filho armazenou acentuado cabedal de conhecimentos em matéria científica, galgando, pelo estudo, tenacidade e inteligência um lugar de destaque dentre os vultos Notáveis do Rio Grande do Norte.

22 de agosto de 2016

Historiador, minha profissão


                                                 Luciano Capistrano
Professor: Escola Estadual Myriam Coeli
Historiador: Parque da Cidade


História

Memória social, memória individual,
Memória alicerce da história
Em monumentos vestígios de um passado
Encontrado na oralidade, documentos achados/ perdidos
Arquivos públicos/privados, fungos, ácaros, fazedores
Da nova história, o campo da história dilata, expande.

Vico, Hegel, Croce, Toynbee, fronteiras antes lidas
Hoje fontes relidas, releituras, reinterpretações
Novas historiografias, visões, lições
Veyne vê contos verdadeiros
Narrativas cotidianas caminhantes literários
Da tradição marxista Hobsbawm persiste/insiste
O passado e a história podem/devem legitimar o presente.

Tempo presente diálogos intermitentes
Olhar o passado ver entre frestas racionalidades
Hoje inexistentes, para além do factual
Marc Bloch e LucienFebvre, vozes francesas
Apenas a política não explica a vida,
Há sinuosidades no caminho.

Não são simples narrativas, visão positiva primitiva
Análises descobrem estruturas sociais
Tempo e temporalidade vias luminárias
Explicações construídas sobre sociedades instituídas
Crias/recrias em tempos de vulcões de larvas,
Singularidade íntima, historiografia.
(Luciano Capistrano)


                Historiador é minha profissão, trago acho que no sangue, pois,  meu pai, tia e tios, trilharam os caminhos de Clio, sigo, então, essa trilha. Atualmente desenvolvo minhas funções no Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, sou concursado da Semurb, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal, e, ainda sou professor de História na Escola Estadual Myriam Coeli, cheguei ao magistério estadual por meio de concurso público. Tenho uma grande alegria em exercer meu oficio nestes lugares. Em ambos, busco ser ético e respeitoso nos parâmetros da minha profissão.
            Da Grécia de Heródoto até os nossos dias, muitas mudanças ocorreram na compreensão do fazer histórico, a clássica pergunta: O que é História? Ainda permeia minhas andanças nas terrasde E. H. Carr, Paul Veyne, Marc Bloch, Eric Hobsbawm, Jacques Le Goff, Ciro Flamarion Cardoso, Circe Bittencourt, e, tantos outros historiadores, responsáveis por pavimentarem  esta estrada que sigo em busca de um norte, de uma construção, nada tranquila e nem definitiva do que é História.
            Em linhas gerais, vejo a História como a ciência capaz de fazer compreender as transformações vivenciadas pela sociedade humana. Explicações, claro, fundadas na historicidade, assim, o tempo é fundamental no ofício do Historiador.
            A uma relação intrínseca entre os fatos, a interpretação e o Historiador, as escolhas que faço no meu mister, diz muito das minhas escolhas teóricas, das minhas compreensões do mundo em que estou inserido, se existe o fato, busco ver o processo, os fatores determinantes ou não, de determinado acontecimento. O fato não é algo isolado, no tempo e no espaço, faz se necessário compreender o processo, neste sentido, não basta a “narrativa” seca, é, necessário à interpretação, aí, reside à reflexão do Historiador.

Historiador

Clio memórias
Descortina ações
Constrói histórias
Leituras documentais
Vestígios rupestres
Papéis, oralidades
Historiadores
Intérpretes de passados
Esquecidos
Nos corredores obscuros
Do poder
Ofício de dizer
O esquecido por muitos!
(Luciano Capistrano)

            Meu amigo velho, faço dessa escrita minha afirmação de amor a HISTÓRIA, quando há uns anos atrás escolhi o curso de História, já tinha a certeza da feliz escolha, não me vejo, hoje, em outras áreas do conhecimento, em outra profissão.
            Me permitam finalizar citando Eric Hobsbawm, um Historiador de muitas reflexões:
Eu costumava pensar que a profissão de historiador, ao contrário, digamos, da de físico nuclear, não pudesse, pelo menos, produzir danos. Agora sei que pode. Nossos estudos podem nos converter em fabricas de bombas, como os seminários nos quais o IRA aprendeu a transformar fertilizantes químicos em explosivos. Essa situação nos afeta de dois modos. Temos uma responsabilidade pelos fatos em geral e pela crítica do abuso político-ideológico da história em particular. (HOBSBAWM, Eric. Sobre HISTÓRIA, São Paulo: Companhia Das Letras, 2011, p. 17-18)

            

18 de agosto de 2016

Documentário Passo da Pátria – Porto de Destinos lança olhar sobre uma das comunidades mais antigas de Natal


 A comunidade do Passo da Pátria se desenvolveu de forma improvisada e desordenada,espremida entre a linha do trem e o rio Potengi, próximo aos bairros do Alecrim, Cidade Alta e Ribeira, em decorrência da intensa movimentação comercial no local entre o final do século 19 e início do século 20, quando foi o principal porto e porta de entrada do comércio na capital do Rio Grande do Norte.
   Esse aspecto histórico do lugar inspirou o título do filme “Passo da Pátria - Porto de Destinos”. Dirigido pelos jornalistas Alex Régis e Paulo Dumaresq, o longa documentário lança um olhar humano sobre o cotidiano da comunidade. O fotógrafo Alex Régis precisou entrar no Passo da Pátria algumas vezes para fazer matéria.E os enfoques, quase sempre, eram negativos, de histórias tristes, de crimes, de problemas.
  “Certa vez,resolvi ir lá para produzir a capa de um caderno especial. A intenção era capturar uma imagem de pesca bem plástica. Tinha ali o local perfeito, com o cenário composto por barcos e a luz do pôr do sol refletida no rio Potengi. Depois de fazer a foto, comecei a conversar com o pescador ‘Nino do Peixe’. Ele falava do Passo com um orgulho, um brilho no olhar que me despertou o interesse em pesquisar a história da comunidade”, diz o fotógrafo, contando como surgiu a ideia do documentário.
  Alex Régis saiu de lá com a foto que lhe daria o prêmio BNB de Jornalismo e também com uma visão menos preconceituosa. “Eles sofrem discriminação. Quem passa ali na Avenida do Contorno e olha pra comunidade, tem medo”, diz. 
  Com o tema definido e uma prévia ideia de que linha seguir, convidou o jornalista e dramaturgo Paulo Jorge Dumaresq para escrever o roteiro e o ajudar na direção. Os dois já haviam trabalhado juntos no curta de ficção "Incontinências” (2014). Entre planejamento, pré-produção, produção, edição, finalização e mixagem de áudio, o documentário levou um ano para ser feito — 100% com recursos próprios e a colaboração de parceiros.
  Os diretores primaram por contar a história do Passo da Pátria, desde os primórdios até os dias atuais, pela boca de seus moradores.“Creio que fomos fieis ao nosso intento”, avalia Dumaresq.
  A ideia inicial era produzir um curta-metragem, mas, ao entrar no Passo, eles se depararam com a riqueza humana da comunidade, a geografia peculiar do lugar e belezas naturais. De modo que foram fortemente atraídos pelas possibilidades que o lugar ofereceu. “Quando assistimos todas as entrevistas e as imagens capturadas, chegamos à conclusão que o filme tinha virado um longa. Ele ficou com 70 minutos”, diz Alex Régis.
  Os realizadores optaram por uma fotografia limpa, com luz natural e sem muitos efeitos. “Aproveitamos ao máximo as cores da comunidade. Cor é vida. E o Passo tem sua dinâmica própria na colorida alegria de seus habitantes. Usamos ainda a cor sépia para remeter ao passado”, fala Dumaresq.
  O documentário é quase todo construído a partir das memórias e narrativas dos moradores. Mas Paulo Dumaresq e Alex Régis tiveram também a ideia de convidar um ator para interpretar Luís da Câmara Cascudo e recitar seus escritos sobre os tempos áureos do Passo. O escolhido para o papel foi o carioca Ruyter de Carvalho, com experiência no teatro, no cinema e na TV, inclusive participações em novelas da Globo, como o folhetim “Que Rei sou eu?”.
  “Os textos foram extraídos do livro História da Cidade do Natal. Mas não quisemos mimetizar o ator de Câmara Cascudo. Apenas remeter ao folclorista e historiador. É importante esclarecer isso”, ressalta Dumaresq.
  A trilha é toda potiguar e original, composta para o filme, com direção musical de Adriano Azambuja. Destaque para a canção "Passo da Pátria - Porto de Destinos" (de Antônio Ronaldo e Franklin Mário), interpretada pela cantora Antoanet Madureira, e o rap "As margens", do projeto Éris (Artur Faustino e Bruno Otávio). Participam ainda os músicos Nicholas Guitarman, Dudu Campos, Isaac Ribeiro e Heudes Régis.
 A equipe técnica praticamente foi a mesma de “Incontinências”, com a adição da cineasta e montadora Suerda Morais, da CaSu Filmes, produtora parceira. A Peron Filmes também apoiou com equipamentos. Colaboraram ainda Camilla Natasha e Davis Josino (produção de set), Nilson Eloy (som direto e mixagem de áudio) e Alysson Régis (platô). O filme contou com o apoio da Secretaria Municipal de Comunicação Social da Prefeitura de Natal, Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo, Nalva Melo Café Salão, Bardallo’s Comida & Arte, Associação para o Desenvolvimento de Iniciativas de Cidadania (ADIC/RN), CBTU, Estúdio Sonorus e o jornal Tribuna do Norte.

16 de agosto de 2016

A IMPORTÂNCIA DA CONTROLADORIA E A AUDITORIA GOVERNAMENTAL COMO FERRAMENTA DE GESTÃO PARA O COMBATE À CORRUPÇÃO NAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS

Ao analisar a História brasileira, desde seu descobrimento até os dias atuais, a sociedade brasileira vive há muito tempo conformada com a prática da corrupção passiva no setor público, todos creem mais na impunidade, determinada por um sistema maculado de velhos tempos, do que propriamente na justiça.                                         
Aqui, no Brasil, terra de povo humilde, simples, alegre, a corrupção gerou até, pode-se dizer, uma subcultura, uma etnia, muito se ouve falar no velho e bom “jeitinho brasileiro”, “cafezinho”, “cerveja”, “groja” etc. Com efeito, esse delito passou a fazer parte do cotidiano do brasileiro.                                                                                          
Por outro lado, a corrupção é um dos grandes problemas do mundo globalizado, ameaçando ao bom governo e a política idônea, desencoraja os investimentos e mitiga o desenvolvimento econômico e humano.                                                        
Dos anos oitenta e noventa até os dias atuais, houve enxurradas de denúncias e escândalos, desmascarando pessoas poderosas, políticos, envolvidos em corrupção. Esse fenômeno é consequência, justamente da globalização, do desenvolvimento tecnológico mundial; tal revelação trouxe luz aos olhos do povo, de fatos que outrora eram tolerados, hoje são repugnados e vistos como violações de direitos.                                    
Desta feita, o povo passou a exigir atitudes do governo, emanar opiniões, a participar do controle e fiscalizar a administração pública.                                                                    
O panorama que envolve o tema, tão comentado pelos brasileiros atualmente, principalmente pela crise que assola nosso país, e que de determinada maneira se agrava por conta de reflexos da corrupção, não se esgota nos estudos aqui apresentados e desenvolvidos, mas a verdadeira intenção é refletir, e mensurar a extensão, que tal delito abrange e afeta. Como também, buscar a verdade intimamente, através de uma autoanálise, se a ganância e a corrupção, são males inerentes ao ser humano.                             
            Segundo a revista Veja, de 26 de outubro de 2011, que busca fazer um vínculo concreto entre a corrupção e os danos à sociedade. A matéria ressalta que os R$ 85 bilhões desviados mediante corrupção no ano de 2010 poderiam ser empregados para: “1 – Erradicar a miséria; 2 – Custear 17 milhões de sessões de quimioterapia; 3 – Custear 34 milhões de diárias de UTI nos melhores hospitais; 4 – Construir 241 km de metrô; 5 – Construir 36.000 km de rodovias; 6 – Construir 1,5 milhões de casas; 7 – Reduzir 1,2% na taxa de juros; 8 – Dar a cada brasileiro um prêmio de R$ 443,00 reais; 9 – Custear 2 milhões de bolsas de mestrado; e 10 – Comprar 18 milhões de bolsas de luxo”.                                                
            O tema é relevante e atual à medida que há uma proliferação de escândalos com que a sociedade se defronta diariamente ocupando a maior parte dos noticiários e dos mais variados meios de comunicação. Por conseguinte, cada vez mais se exige dos governantes uma maior transparência dos atos governamentais para obtenção do controle social.

Daniel Augusto Medeiros da Silva, Contador,
 Pós Graduando em Auditoria e Controladoria pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte