20 de fevereiro de 2018

Cinemas de Natal – Filmes que eu assistí




Salete Pimenta Tavares

         O meu interesse pela chamada “Sétima Arte” vem de anos atrás. Mesmo tendo nascido e vivido, até minha adolescência, na cidade de Caraúbas-RN, onde, na época não existiam cinemas, televisão, nenhum aparelho que pudesse transmitir um filme, eu procurava ler, com um mínimo de livros, de revistas ou jornais existentes na cidade alguma coisa que falasse sobre cinema, e ainda ouvir algum programa de rádio que tratasse desse assunto.
        Quando minha família veio fixar residência aqui em Natal, uma das minhas preocupações era me informar sobre filmes, e procurar as casas de espetáculos cinematográficos para poder usufruir dessa arte, um dos mais importantes meios de comunicação. Os cinemas existentes em Natal nessa época eram: “Cine Nordeste” na Avenida João Pessoa, “Cine Rex” na Avenida Rio Branco, “Cine Rio Grande” e “Cine Poti” na Avenida Deodoro da Fonseca e “Cine São Pedro”, no Alecrim. Mais tarde foi inaugurado o “Cine Panorama” no bairro das Rocas.
        A nossa chegada em Natal deu-se no dia 21 de abril de 1960, dia este onde se comemorava em todo o país a inauguração de Brasília, construída no Planalto Central do Brasil para ser a sede do Governo Federal. Logo no dia 08 de maio desse mesmo ano, fui assistir no Cine Rio Grande, o filme “Stefanie”, um gênero comédia-romance, sob a direção de Josef Von Baki, cuja protagonista tinha o mesmo nome do filme.
       Eu gosto de filmes do gênero romance, mas, mencionando vários filmes de outros gêneros a que assisti em Natal, demonstro que não sou avessa a outros gêneros.  Já no dia 14 desse mesmo mês, fui assistir no Cine Nordeste o filme “Garota Enxuta”, (Chanchada Nacional), no dia 22, no Cine Rex, “Saeta o Canto do Rouxinol” e no dia 29, também no Cine Rex, o filme “Tua Para Sempre”. Daí, passei a ser uma expectadora assídua nas salas dos cinemas. Anotava todos os filmes assistidos, colocando dia, mês, ano e o local de sua exibição.  
      De maio de 1960 até outubro de 1972, foram 698 filmes assistidos e anotados, pois a partir dessa data, apesar de continuar assistindo filmes, não houve mais registros. Muitos foram os filmes bons que eu assisti (comédia, romance, suspense, históricos, etc.), entre eles vale à pena citar alguns: “Meu Tio”, onde o cineasta Jacques Tati fez uma crítica à modernidade, tendo poucos diálogos e muita sutileza; venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o Prêmio Especial do Júri, num desses Festivais de Cinema de Cannes. “Orfeu do Carnaval”, na época apontado como um dos filmes mais polêmicos já feitos.
      A série “Sissi”, “Sissi a Imperatriz” e “Sissi e seu Destino”, três filmes sobre a vida da Imperatriz Elisabeth da Áustria, tendo como protagonista a atriz Romy Schneider. “As Férias do Senhor Hulot”, um ótimo filme, tendo o mesmo Jacques Tati como ator e diretor. “O Grande Ditador”, um filme belíssimo de Charles Chaplin; nesse filme ele faz o chamado “O Último Discurso”, onde incentiva o povo para lutar pela liberdade e por um mundo novo.
     Outro filme de Charles Chaplin, “Luzes da Ribalta”, tanto o filme como a música, que tem o mesmo nome, são belíssimos. “Suplício de uma Saudade”, considerada uma das mais lindas e famosas histórias de amor das telas cinematográficas. E mais, “Testemunha de Acusação”, “O Vento não sabe Ler”, “A Balada do Soldado”, “O Sol por Testemunha”, “E o Vento Levou”, “Se meu Apartamento Falasse”, “Amor, Sublime Amor”, “A um Passo da Eternidade”, “Um Lugar ao Sol”, “A Princesa e o Plebeu”, “Doutor Jivago”, “Romeu e Julieta”, “Bonequinha de Luxo”, “O Último Tango em Paris”, “Um Homem e uma Mulher”, “O Maior Espetáculo da Terra”, “Por Quem os Sinos Dobram”, “A Bela da Tarde”, “Quando Setembro Vier”, “Candelabro Italiano”, “Assim Caminha a Humanidade”, “Ao Mestre com Carinho”, “A Noviça Rebelde”, “A Pantera Cor de Rosa” e “O Professor Aloprado”.  Do mestre Alfred Hitchcook, “O Homem que Sabia Demais”, “Marnie, Confissões de uma Ladra” e “Um Corpo que Cai”, considerado a obra prima desse diretor. Os faroestes, “Os Brutos também Amam”, “A Árvore dos Enforcados”, “A Face Oculta”. Os históricos, “Os Dez Mandamentos”, “Bem-Hur”, “A Bíblia”, “Cleópatra”, “Sansão e Dalila”, “O Evangelho Segundo São Mateus”, “Paixão de Cristo”, “El Cid”, etc.
    Os brasileiros, “Independência ou Morte”, “Baía de Todos os Santos”, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “O Pagador de Promessas”, um drama escrito e dirigido por Anselmo Duarte; este filme foi indicado como o Melhor Filme Estrangeiro no Festival de Cannes (França 1962) e Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cartagena (Colômbia 1962). Alguns da Série 007, outros tendo Roberto Carlos como protagonista do filme e outros ainda, inesquecíveis como: “Zorba o Grego”, um clássico maravilhoso com uma atuação impecável do ator Anthony Quinn; “A Ponte do Rio Kwai” vencedor de 07 Óscares; “Laurence da Arábia” venceu nas categorias: melhor filme, melhor diretor, melhor fotografia, melhor trilha sonora e melhor direção de artes. E tantos outros como “O Último Imperador”, “A Lista de Schindler”, “A Casa de Chá do Luar de Agosto”, “Os Girassóis da Rússia”, “Descalços no Parque”, “As Sandálias do Pescador”...
      Com a chegada da televisão, nos anos 60, a exibição de filmes nos cinemas foi diminuindo, uma vez que, essa exibição podia ser vista em casa, de graça, evitando o deslocamento da família até as salas dos cinemas. Atualmente com os novos e modernos “shopyngs”, o cinema voltou a atrair o público com uma imensa variedade de filmes apresentados, com salas de espetáculos lotadas e criando também um novo tipo de expectador


8 de fevereiro de 2018

Carnaval no Ano Bissexto


                          
Salete Pimenta Tavares

          O mês de fevereiro é o mês mais curto do ano, com apenas 28 dias. Mas, de quatro em quatro anos o mês é acrescido de mais um dia – o dia 29, registrando, portanto, o ano 366 dias, o qual é chamado ano bissexto. Fevereiro é também considerado o mês do Carnaval, visto que, geralmente o carnaval acontece no mês de fevereiro. No entanto, vez ou outra, o carnaval é festejado também no mês de março. De acordo com pesquisa feita no “Missal Quotidiano”, um livro preparado por D. Beda Keckeisen O.S.B., editado e impresso nas oficinas tipográficas do Mosteiro de São Bento na Bahia, nos anos 50, elaborado para facilitar o acompanhamento dos fiéis ao Santo Sacrifício da Missa, se encontra a tabela das festas móveis da Igreja, com as datas das Quarta–Feira de Cinzas, a partir do ano de 1956.
      Como a terça-feira de carnaval é o dia que antecede à quarta-feira de cinzas (primeiro dia da Quaresma), pode-se saber exatamente o ano em que a terça-feira de carnaval aconteceu no mês de março; são eles: 1957, 1960, 1962, 1965, 1973 e 1976; de 2000 até 2017, apenas em 2003, 2011 e 2014, o carnaval aconteceu  no mês de março. (v. meu artigo “Carnaval em Março”, escrito no Jornal Zona Sul – março de 2011).
     Essa festa que foi introduzida no Brasil pelos portugueses no tempo colonial, no ano de 1641 (v. Folhinha de Nossa Senhora de Nazaré – fevereiro de 2008), e que sempre foi considerada a maior festa popular brasileira, com o povão brincando nas ruas, se fantasiando de “cão”, de “papangus”, formando blocos de sujos, dançando e cantando nas ruas marchinhas engraçadas, entre elas o “Ô Abre Alas”, primeira marchinha carnavalesca, composta por Chiquinha Gonzaga para o Carnaval de 1889 (v. meu artigo “Carnaval Antigo e suas Marchinhas”, escrito no Jornal Zona Sul – fevereiro de 2010), além dos corsos, desfiles de carros alegremente decorados, as serpentinas, confetes e lança-perfumes atiradas nos foliões, que não passavam de uma brincadeira sadia, mesmo quando se tratava de atirar pó, talco e maisena.
    Contudo, hoje, já não se pode considerar o carnaval uma festa popular, uma vez que a festa se elitizou e surgiram grandes sociedades carnavalescas, com inúmeros blocos que viraram Escolas de Samba, com suas riquezas de alegorias e vestimentas caríssimas, dirigidas por pessoas influentes, “gente da alta”, como se diz, cujo dinheiro não é problema, dificultando o acesso à participação nas Escolas de Samba, de pessoas mais simples e mais humildes, ou até pertencentes à comunidade carnavalesca, mas que não tem meios para arcar com todas as despesas exigidas para participar do evento.
     Sabemos que, depois que passam os festejos natalinos e os de Ano Novo, começam os preparativos para o carnaval. São três dias de muita alegria, três dias de muita folia que, para muitos, vale pelo o ano inteiro. É o grande reinado de “Momo”. A alegria toma conta de todos: ricos, pobres, brancos, pretos, velhos, jovens, etc.; todos cantam e brincam num desabafo à monotonia da vida. Tudo respira carnaval. As lojas e os camelôs aumentam suas vendas; por onde se passa, até pelo chão tem o que se comprar: roupas, fantasias, chapéus de diversos tipos, bonés, colares havaianos, máscaras, apitos, etc.
    No Brasil pode-se dizer que o carnaval acontece o ano inteiro, principalmente nas comunidades onde existem escolas de samba. Elas passam o ano todo envolvidas na criação e concretização do enredo da escola, na escolha das fantasias e alegorias, no cuidado com os ensaios da escola, culminando no famoso “ensaio geral”, que já é uma amostra real do que vai acontecer no sambódromo, cada uma querendo mostrar o mais bonito e o mais rico espetáculo, na esperança de conseguir a primeira colocação do desfile e ser a escola campeã do ano.

      Alguns anos atrás foi realizado, aqui em Natal, um carnaval fora de época, o qual foi chamado de Carnatal. O primeiro Carnatal ocorreu no ano de 1991; foi realizado no centro da cidade, mais precisamente na Praça Cívica, antiga Praça Pedro Velho, com apenas três blocos participantes: Bloco O Caju, animado por Netinho, o Banda Mel e o Banda Cheiro de Amor. A festa cresceu tanto, que foi necessário outro local para abrigar tantos blocos, num total de mais ou menos 19 blocos e seus componentes, acrescidos de mais outros carros, chamados carros de apoio aos blocos. Atualmente em todos os Estados do Brasil, nas Capitais e em outras cidades, acontecem carnavais fora de época, chamados “micaretas”, com denominações as mais diversas possíveis; exemplo: “Pré-Caju”, em Aracaju, “Fortal”, em Fortaleza, “Micarande” em Campina Grande, a primeira micareta realizada fora do Estado da Bahia, “Nana Fest”, em Belo Horizonte, “Carnafacul” em São Paulo, etc. O Carnatal é considerado a maior Micareta do Brasil e consolidou-se como o principal evento do calendário turístico de Natal.

7 de fevereiro de 2018

O cinema em Mossoró


Anchieta Fernandes

             Embora Natal tenha uma intensa e bonita história da presença da arte cinematográfica na capital, Mossoró também não deixou de marcar sua presença pioneira (v. primeira eleitora no Brasil, libertação dos escravos antes da Lei Áurea da Princesa Isabel) no setor. Veja-se bem: o primeiro cinema a existir no Rio Grande do Norte foi em Mossoró. Muito cedo, aliás, quase na infância da 7ª Arte, em 1908, Francisco Ricarte de Freitas inaugurou naquela cidade seu Cine-Teatro Dr. Almeida Castro.
              Quando começavam a espocar foguetões na praça do Almeida Castro, era sinal de que a fita havia chegado de Aracati; à noite haveria sessão de cinema – relembrou Lauro da Escóssia no livro “Memórias de um Jornalista de Província.” O Cine Almeida Castro, aliás, foi o primeiro que exibiu filme falado na capital do Oeste, o que ocorreu a 22 de novembro de 1933, apresentando a película “Ama-me Esta Noite”, com o ator e cantor Maurice Chevalier e a atriz Jeanethe McDonald. Outros cinemas mossoroenses foram:
               Cine Ferreira Chaves, inaugurado por J.Soeiros à Rua do Comércio (hoje, Rua Vicente Sabóia). Este cinema passou a ser chamado Cine Politeama quando José Vasconcelos e Antônio Filgueira o adquiriram. Em 1925, Bonifácio Costa e Cornélio Mendes inauguraram à Rua João Pessoa o Cine Glória, cujos proprietários deixaram existir “uma segunda classe, ao relento, por trás de sua tela. O letreiro aparecia pelo avesso”, e então os espectadores (e eram muitos) resolveram contratar um professor para ler as legendas em voz alta.
             Depois do Glória, foi a vez do Cine-Teatro Pax, de propriedade da empresa Cine-Teatro Mossoró S/A (Jorge de Albuquerque Pinto), localizado à Praça Rodolfo Fernandes, e inaugurado a 23 de janeiro de 1943 com o filme “A Formosa Bandida”. O Pax foi inaugurado com 1.200 cadeiras. Em entrevista concedida ao suplemento “Domingo”, do Jornal de Fato, edição 225, de 5 de novembro de 2006, o então proprietário do Pax, Luiz Pinto, revelou que os filmes que mais lotaram o cinema foram “Os Dez Mandamentos”, “O Ébrio”, e “Dio Como Te Amo.”
              Na reportagem “Decadência do cinema em Mossoró”, publicada no jornal natalense O Poti (edição de domingo, 22 de outubro de 1995), Emery Costa faz o levantamento histórico de todos os cinemas que existiram em Mossoró. Pelo qual, fica-se sabendo que após o Pax, veio o Cine Déa, no ano de 1944, de propriedade de José de Oliveira Costa, e gerenciado por José Moreira. Emery registra: “Em 28 de maio de 1955, o Cine Caiçara, inaugurado por Renato Costa, que dotaria ainda a cidade de um cinema de bairro, o Jandaia, à Avenida Alberto Maranhão.”

            Houve ainda o Cine São José, no bairro Paredões, por iniciativa de “José Bedéo”. Segundo o levantamento histórico de Emery, houve ainda o Cinema Rivoli, à Avenida Rio Branco, de propriedade de Lenilton Moreira Maia, e inaugurado em 1962 com o filme “Pecados de Amor”. A 22 de julho de 1964, foi inaugurado o Cine Cid, de um grupo liderado pelo político e empresário Dix-Huit Rosado. O primeiro filme apresentado foi “O Candelabro Italiano”. O Cine Centenário e o Cine Imperial foram os últimos cinemas de rua em Mossoró. 

1 de fevereiro de 2018

Nomes de árvores nos municípios do RN


 Edson Benigno

        Alguns municípios do RN têm no seu nome o mesmo de algumas árvores existentes no país. Algumas delas são homenagens que se dá por serem comuns na região. Noutros municípios, o nome é por outros motivos; como por exemplo, Carnaúba dos Dantas, que é um município do RN,  e seu nome, segundo alguns pesquisadores, tem  como origem a planta de mesmo nome, transplantada para fazendas pertencentes a proprietários da família Dantas que habitavam a região. Outra hipótese do nome Carnaúba dos Dantas é que na região do município existia grande quantidade de antas, mamífero brasileiro, o qual teria dado origem ao nome da cidade da seguinte maneira: Carnaúba das Antas, que originou D'Antas, que mais tarde viria a se chamar Carnaúba dos Dantas. De acordo com o censo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no ano 2008, sua população é de 7.041 habitantes. Outros municípios que têm nomes de árvores - confiram:
        Angicos - Normalmente são árvores de médio a grande porte, comuns em capoeiras ou na colonização de áreas abertas;no inverno perde totalmente as folhas. A espécie mais comum em nossa região é o angico-branco. Suas flores diminutas são agrupadas em pequenos "pompons" brancos, por sua vez agrupados em cachos grandes, revestindo de branco as copas verdes.  Possui tronco acinzentado, tortuoso e alto, com copa ampla de folhagem rarefeita, no total chegando aos 20-25 metros. Não é difícil localizá-lo nos capoeirões e matas da região, onde é também chamado de "angiqueiro".
       De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano 2004, a população de Angicos era estimada em 11.956. O município foi emancipado de Assu em 11 de abril de 1833.A cidade notabilizou-se pelas experiências pioneiras de Paulo Freire com seus métodos de alfabetização. E em 2009 recebeu os primeiros alunos da UFERSA Angicos, provisoriamente na Escola Padre Felix. No dia 28/02/2011 começou a funcionar em sua sede própria a Universidade Federal Rural do Semi-árido UFERSA. Angicos passou então a ser conhecida na região como Cidade Universitária.
    Baraúnas – Árvore da família das leguminosas, nativa do Brasil e mede até 17 metros. É também madeira-de-lei brasileira, acastanhada, chegando a ser quase negra, e como seiva, sendo medicinal e industrial. Suas folhas são imparipenadas e possui grandes flores amarelas. Seus frutos são cilíndricos e grossos. É também uma árvore da chuva, como a baraúna preta, canela, canela amarela, coração-de-negro, Maria-preta, Maria-preta-da-mata , Maria-preta-do-campo, muiraúna, paravaúna, parovaúna, perovaú  e rabo- de- macaco.
     Baraúnas  Localiza-se na microrregião de Mossoró. Sua população estimada em 2004 era de 20.693 habitantes. O município foi emancipado de Mossoró no dia 15 de dezembro de 1981. Limita-se com o município que lhe deu origem, Mossoró (a leste), Governador Dix-Sept Rosado (ao sul), e com o estado do Ceará (ao norte e a oeste), sendo Aracati(ao norte) e Quixeré e Jaguaruana (a oeste). O solo tem utilidade restrita para lavoura, favorecendo culturas especiais de ciclo longo (algodão arbóreo, sisal, caju e coco).
      Caraúbas- É derivado da existência de uma densa mata povoada por Caraúbas (Jacarandá copaia – é seu nome científico)– árvores de casca amargosa e flores amarelas, situadas na margem direita de um afluente do Rio Apodi. Caraúbas é uma planta da família das Bignoniáceas.  Essa árvore é também muito comum nas margens de um afluente do Rio Mossoró, onde no século passado sempre deu muitas  sombras  aos viajantes, nas suas jornadas. Eles tinham um ponto de descanso na várzea das Caraúbas, nome que com o tempo passou a ser município importante do Estado do RN.
       O primeiro nome dado a Caraúbas foi Várzea das Caraúbas; depois os índios Payacus chamaram Carahu-mba (fruta da casaca negra) – nome de uma árvore na linguagem indígena (tupy guarany); logo após os tropeiros chamaram-na de Caraúbas, nome que passou ao Município e posteriormente à cidade. Com o crescimento da povoação foi criado o Distrito de Paz de Caraúbas no dia 23 de março de 1852, pela Lei Provincial nº. 250, sendo instalado um Juizado de Paz, depois é que passou a Município e, mais tarde, Cidade.
       Monte das Gameleiras - É uma árvore de grande porte da família das moráceas, do gênero fícus, com madeira utilizada para a confecção de gamelas e objetos domésticos. Não se confundir com a gameleira-branca, que é outra árvore. Tem característica nativa em todo o Brasil, pode atingir entre 10 e 20 metros de altura. Suas raízes se espalham, formando uma base característica da espécie. Seus frutos são pequenos, redondos, macios e verdes. Suas sementes também são pequenas, parecidas com as de figo, também chamada de iroko. Suas folhas são utilizadas no preparo de água sagrada nos rituais da cultura afro- brasileira.
           Monte das Gameleiras está localizado na microrregião da Borborema Potiguar. O nome originou-se da árvore Gameleira e acrescentando Monte, por existir área alta naquela localidade. De acordo com o censo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no ano 2000, sua população é de 2.541 habitantes.  O lugar é conhecido pela sua rica cultura e onde já foram realizados diversos projetos  de literatura de cordel. Estas obras foram produzidas pelo povo, somando-se à difusão popular da arte folclórica.  Nessa manifestação o povo conta os costumes, as crenças ou personagens (reais e imaginárias).
Macaiba ainda é conhecida como macaúva, macaúba, macauveira, coco-de-espinho. A macaúba, coco - baboso ou coco-de-espinho é uma palmeira nativa brasileira. Com altura até 15 m, a árvore é ornamental. Seus frutos são comestíveis, e de sua amêndoa se extrai um óleo fino semelhante ao da oliveira. Do miolo do tronco se faz uma fécula nutritiva, as folhas são forrageiras e têm fibras têxteis usadas para fazer redes e linhas de pescar. A madeira é usada em construções rurais.
        Macaiba tem na sua história a fundação por parte do paraibano Fabrício Gomes Pedroza, natural de Areia. Chegando ao RN seu Fabrício casou-se e construiu a histórica casa assombrada em terras do seu sítio. A cidade na época chamava-se Coité. Dizem que no quintal de sua residência existia uma palmeira chamada Macaiba pela qual ele tinha grande admiração. Então, certo dia do ano de 1855, reuniu-se com os moradores, numa festa em sua casa e propôs mudar o nome da localidade de Coité para Macaiba. Sua posição estratégica, a caminho de Natal, impulsionou o comércio.
      Pau dos Ferros - É uma árvore, mais precisamente de marcas fixadas com ferro em brasa numa oiticica muito frondosa que, pela sua grande dimensão, oferecia uma farta sombra e conseqüentemente um excelente local para o repouso dos vaqueiros, quando chegavam cansados do difícil trabalho de campear reses tresmalhadas.  Já o nome popular pau-ferro é usado para várias árvores brasileiras, da família: Fabaceae Características das folhas (tamanho; persistência): pequenas; seu crescimento é rápido e sua floração é amarela enquanto a frutificação é vagem, e se dá mais precisamente no período entre  agosto a outubro.
             Em 1841, começava uma série de tentativas para fazer de Pau dos Ferros um município. Era uma luta que unia todo o povo e estendeu-se por vários anos. A Resolução Provincial nº 344, de 4 de Setembro de 1856, tornou Pau dos Ferros em cidade do interior do RN. O nome se deu pelo motivo de ser um costumeiro local de parada, os vaqueiros decidiram gravar no tronco da grande árvore, com ferro em brasa, as marcas de seus patrões, com a finalidade de que todos passassem a conhecer os carimbos, uns dos outros, para poderem identificar as reses perdidas nos pastos e fazê-las retornarem ao seu dono.
      Umarizal - ( Umarizeiro )  é uma árvore de grande porte, frondosa, com caule e ramos cheios de pequenos espinhos, comum  no Sertão do Nordeste brasileiro. Os frutos, chamados umari, embora um pouco amargos, comem-se cozidos ou em mingaus, por ocasião das secas e mesmo nos tempos normais. Deles se retira uma massa (mesocarpo), tida como peitoral e vermífuga. As folhas constituem substancial ração para o gado; o chá das mesmas, misturadas com os brotos, passa por emenagogo e antidiarréico.
     Umarizal é localizado na mesorregião do Oeste Potiguar. No dia 27 de novembro de 1958, pela Lei nº 2.312, Umarizal desmembrou-se de Martins e tornou-se um novo município potiguar. A cidade já foi chamada de Gavião (nome do povoado que deu origem a cidade, quando ainda fazia parte da comarca de Martins) e de Divinópolis (nome que teve que ser alterado devido à cidade homônima de Minas Gerais). Atualmente é município muito desenvolvido, não só na parte econômica, como na sua estrutura de moradia.


25 de janeiro de 2018

O vale das carnaubeiras





Anchieta Fernandes

                      Não é saudosismo gratuito. Mas ao se recordar ou se ler a descrição de um passado em determinado espaço geográfico privilegiado, fica-se com a imagem sugerida do que pode ser um paraíso terrestre. É o caso, por exemplo, do Vale do Açu, no interior do Rio Grande do Norte, quando invernos generosos, em vez de enchentes traziam fartura, sem prejudicar o potencial de prosperidade econômica alcançado, com a cultura da carnaubeira (quase extinta na atualidade). O vale, ou várzea, produto da fertilidade do Rio Açu ou Piranhas, que nasce na Paraíba chamado de Piancó, e depois atravessa a região de Açu e Mossoró e deságua em Macau – foi o cenário que sediou o município de Açu, instalado a 11 de Agosto de 1788 com o nome Vila Nova da Princesa, em homenagem à Dona Carlota Joaquina, esposa de Dom João VI. É outro município que completou também 220 anos em 2008.

                                                      ÁRVORE MILAGROSA

                      Passou a ser Cidade do Açu a 16 de Outubro de 1845. Por conta da comemoração dos 150 anos desta outra data, foi publicado em 1995 pelo nosso Departamento Estadual de Imprensa o livro-antologia Sesquicentenário da Cidade do Assu 1845 – 1995, integrando a Coleção Vale do Assu, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O livro-antologia, organizado por Terezinha de Queiroz Aranha, é dividido em quatro partes, contendo trabalhos de trinta autores. Dos trabalhos, seis são dedicados especificamente à carnaubeira, seus produtos, derivados e as condições de seu cultivo e beneficiamento dentro do contexto histórico, sabendo-se que os carnaubais, mais recentemente foram erradicados em grande parte, devido à criação do Projeto Baixo Açu, com a construção da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, que inclusive submergiu totalmente a antiga cidade de São Rafael
                     O naturalista alemão Friedrich Alexander Humboldt definiu a carnaubeira como “a árvore da vida”. Ela foi a vida do Vale do Açu e o Vale do Açu lhe deu mais vida, multiplicando-a. Um dos ensaios do livro Sesquicentenário da Cidade do Assu 1845 – 1995 é um resumo comentado por Vânia Gico, do artigo “A Carnaúba”, escrito por Luis da Câmara Cascudo e publicado no V.26, n° 2 (abr/jun 1964) da Revista Brasileira de Geografia (ESAM, 1991). Segundo o trabalho de Vânia Gico, a carnaúba (copernicia cerífera, Mart) é planta típica do sertão, “destacando-se o carnaubal do Vale do Açu que começa próximo à cidade de Açu e estende-se até Macau. São famosas as várzeas do rio Apodi ou Moçoró e o rio Açu ou Piranhas que são as regiões prediletas dos carnaubais, o que torna o Vale do Açu o maior produtor (1934).”
                    Para os que nunca conheceram as utilidades da carnaubeira, cite-se algo do que aponta Vânia Gico: “a carnaubeira serve para fazer a casa, o mobiliário e os utensílios da casa do sertanejo. (...) O palmito – parte superior da haste – produz vinho, vinagre e a sacarina. A árvore produz ainda uma fécula nutritiva, a qual serve de alimento ao povo do sertão nordestino em época de escassez de alimento; o miolo das árvores picado nutre os cavalos, substituindo o milho; (...) das folhas novas extrai-se a cera vegetal. (...) Extraída a cera das folhas (que passam a chamar-se palha) estas servem para tecer chapéus e esteiras que podem ser na cor crua ou colorida. Servem para enchimento e forro de cangalhas, alimento para o gado, cobertura de tetos e revestimento da parede da casa (...); servem ainda para adubo, confecção de bolsas, reforço para carga de rapadura, urupemas, peneiras, vassouras, abano para fogão de lenha e carvão, leques e sacos sólidos e duradouros para o transporte e acondicionamento dos cereais, cordas trançadas e até redes de dormir.”

                                                  ALIMENTANDO PEIXES

                         Servindo tão bem à sobrevivência do homem e de seus animais de terra, a carnaubeira também se faz presente com sua utilidade dentro do sistema hídrico. Outro livro publicado na Coleção Vale do Assu, antes mesmo do sesquicentenário, foi relativo à Lagoa do Piató, situada no Vale do Baixo Assu. Sob o título Lagoa do Piató Peixes e Pesca, publicado em 1993, o pequeno livro (conta com 84 páginas) foi escrito por três escritoras pesquisadoras: Raimunda Gonçalves de Almeida, Leoneza Herculano Soares e Maria Madalena Eufrásio. Participando de 8 (oito) parcerias experimentais, na referida lagoa, durante o período de dezembro de 1988 a novembro de 1989, elas produziram um texto essencial, retratando a potencialidade pesqueira do vale naquela lagoa, naquela época; os métodos de pesca, uma descrição taxonômica das espécies habitantes das águas da lagoa e sua biologia alimentar.
                   E cabe aqui dizer da importância da carnaubeira quanto a esta biologia alimentar dos peixes, conforme está escrito à p. 17 do livro, referindo-se à Lagoa do Piató: “As suas margens Leste e parte Sul são dominadas pela mata ciliar da carnaúba, além de algumas outras vegetações terrestres de ocorrência comum, como oiticicas, joazeiros e umbuzeiros (...) Estas têm importância especial para o ecossistema aquático, pois contribuem direta ou indiretamente com ‘certa’ quantidade de material alóctone de origem vegetal, além da fauna de invertebrados que a eles encontram-se associados e que são consequentemente, injetados na cadeia trófica da lagoa, servindo como fonte de alimentos para peixes.”
                                                  
                                                REPERCUSSÃO CULTURAL

                    Estas benesses vegetais e animais repercutiram na essência farta da expressão de arte ou de cultura por alguns nativos do município de Açu, cuja sede, a cidade do Açu, foi chamada não poucas vezes de “Atenas norte-riograndense”, devido ao grande número de poetas que nasceram lá (só da família Wanderley veio uma boa quantidade deles). Mas escritores de outros gêneros também são muitos açuenses. Como Luis Carlos Lins Wanderley, aliás não somente o primeiro médico do Rio Grande do Norte (formado pela Academia de Medicina da Bahia em 1857) mas também o primeiro romancista do Estado, tendo publicado em 1883 o primeiro romance da literatura norte-riograndense, Mistérios de Um Homem Rico, dividido em duas partes. Já o seu filho, outro açuense, Ezequiel Wanderley, publicou em 1922 a primeira antologia de poetas do Estado, Poetas do Rio Grande do Norte.
                        Na cultura jurídica (aliás, Açu foi a primeira sede da 20ª Zona Eleitoral do RN, e com a renumeração das zonas eleitorais do RN em 1956, passando a ser a sede da 29ª Zona Eleitoral do RN), destacaram-se duas mulheres nascidas em Açu: Dra. Maria do Perpétuo Socorro Wanderley de Castro, que em 1981 foi a primeira mulher a compor o Plenário do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte; e Dra. Eliane Amorim das Virgens de Oliveira, que em 1996 assumiu no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte como a primeira Desembargadora do Estado.
                        Pioneirismos outros é que não faltam na história cultural de Açu, lá mesmo no município. Exemplos: antes do descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral em 1500, o navegador espanhol Alonso de Hojeda passou pelo delta do Rio Açu, em 1499, acompanhado por outros navegadores, Américo Vespúcio (o mesmo que daria o nome aos continentes americanos) e Juan de La Cosa; Açu foi a segunda paróquia (1726), a segunda comarca )1835) e a segunda cidade (1845) do Rio Grande do Norte; é onde, em 1827, foi instalada a segunda cadeira de latim do Estado (a primeira, é claro, foi na capital, em 1731, assim como a primeira paróquia foi na capital em 1601, a primeira comarca, também na capital, em 1818, e a primeira cidade sendo a capital, Natal, desde 1599); o primeiro Museu de Arte Popular do Brasil foi instalado por Celso da Silveira, em Açu, em 1954, com o nome Museu de Artes Populares Açuense – MAPA.
                         É a força nutritiva da carnaubeira, influenciando o próprio destino de pioneirismo e criatividade da terra da Baronesa de Serra Branca, a que libertou seus escravos oito anos antes da Lei Áurea da Princesa Isabel, dando um banquete a estes seus ex-escravos, ela própria servindo-os na mesa; força ambiental que inspirou Rômulo C.Wanderley a escrever o emocionante livro-poema Canção da Terra dos Carnaubais, publicado pelo Departamento de Imprensa em 1965, com ilustrações de Newton Navarro; generosidade da Natureza em época invernosa, levando um Manoel Rodrigues de Melo, em seu livro Várzea do Açu (Agir Editora, Rio de Janeiro, RJ, 1951), a fazer esta descrição, de uma saudade contagiante:

                        “A VÁRZEA DO AÇU é uma região plana, de aluvião, que, a partir do ‘Estreito’, onde o rio cortou o dique da Serra de Santana, vai-se alargando sucessivamente, ladeando as bordas dos tabuleiros adjacentes, até morrer nas costas do Oceano Atlântico. A começar da cidade do Açu, porém, até à sua embocadura, o rio toma vários destinos, rasgando a Várzea em todas as direções. Os pequenos regatos que fogem apressadamente do seu leito, os grandes braços que se separam do velho curso, formando adiante inúmeros córregos e riachos; o interminável carnaubal que se estende por toda a região ribeirinha, balouçando a sua cabeleira verdejante; as grandes árvores que pontilham os campos largos; as inumeráveis ervas que lhe vestem as lombadas planas; a imensa variedade de capins que infestam as barreiras dos córregos e riachos deslizantes; o tapume espinhoso das unhas-de-gato e dos calumbis abaloados; as canelas-de-ema e as ervas-cidreiras; as melosas crespas das vazantes frescas; as salsas frondejantes e as trepadeiras ondulosas, tudo isso faz da Várzea do Açu uma terra esplêndida e majestosa, cheia de encantos e atrativos, capaz de conquistar os temperamentos mais esquisitos e singulares.”