29 de março de 2017

Uma Fortaleza, um Patrimônio Histórico: muitas reflexões!!


Luciano Capistrano
Historiador: Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte
Professor: Escola Estadual Myriam Coeli

Um olhar sobre a cidade

Uns ventos do além-mar
Sopram vozes do poeta lusitano
“Navegar é preciso, viver não é preciso”.
E o rio de minha aldeia
Corre ao mar
Levando vidas e sonhos
Das comunidades ribeirinhas
Barquinhos a navegar
Passo da Pátria, Cais da Tavares de Lyra
Portos de uma cidade
A olhar o Alto da Torre
Testemunha ocular de uma expansão urbana
E seus conflitos
Em uma urbe viva
Onde não existe neutralidade
Entre o mar, dunas e o rio
Planos tradutores da cidade que temos
E da cidade que queremos
Desejos.
(Luciano Capistrano)

            A Fortaleza dos Reis Magos, construção símbolo do domínio Ibérico, erguida em 1598, exerceu papel fundamental na conquista do norte do território, que veio a ser o Brasil, como nos lembra o pesquisador Hélio Galvão: “A conquista e integração do norte do Brasil só se tornou possível a partir do instante em que a Fortaleza dos Reis Magos, ‘posta em defesa’, pode servir de apoio às jornadas organizadas naquela direção. É a expansão para além de São Roque, na expressão de Capistrano de Abreu”(GALVÃO, Hélio. História da Fortaleza da Barra do Rio Grande. Rio de Janeiro: MEC, 1979, p. 57).
            A relação da identidade do povo brasileiro com a edificação de pedras a embelezar a paisagem da entrada da barra do rio Potengi, é ponto pacifico entre os historiadores, não tem como falar da nossa história da formação do povo brasileiro, sem se fazer uma referência ao domínio lusitano e, evidente, o papel da Fortaleza dos Reis Magos.
            Faço esse preambulo, insistindo na contribuição da edificação em tela, para a formação da identidade do povo Potiguar/Brasileiro, como indicação dos caminhos a serem percorridos nessa escrita. Uma reflexão nascida das minhas visitas a este que é sem dúvidas o maior centro de visitação turística da cidade de Natal, lugar de muitas memórias/histórias do hoje natalense.
            Nestas andanças, dialogando sobre os descaminhos da urbe, tenho percebido ao longo do tempo um descaso, infelizmente, crescente, com a preservação da Fortaleza, inserida na Zona de Proteção Ambiental 7, sua importância se dar como Patrimônio Histórico e Ambiental, sem falar do ponto de vista da Indústria do Turismo, nota-se deste modo como este sitio histórico/cultural, necessita ter um olhar diferenciado por parte do poder público, e, aqui, me permitam, me refiro as três instancias da federação: Federal, Estadual e Municipal.
            Em abril de 2013, amigo velho, a administração da Fortaleza dos Reis Magos passou do governo estadual, Fundação José Augusto, para o governo federal, Superintendência do IPHAN. Nesta época a cidade de Natal tinha sido contemplada pelo PAC das Cidades Históricas, o que incluía recursos para restauração de diversos patrimônios culturais da cidade, inclusive a Fortaleza.
            Ventos alvissareiros sopravam sobre as terras de Câmara Cascudo. Políticas de preservação patrimonial, contariam com grande aporte financeiro com a chancela do governo federal através do Ministério da Cultura, a frente a senadora Marta Suplicy. Tempos bons, é o que todos esperávamos, afinal, Natal sediaria a Copa do Mundo de 2014, então, nada mais oportuno de termos revitalizados nossos “lugares de memórias”. Bem, a Copa passou, o tempo passou e chegamos a 2017 com as obras de restauração da Fortaleza dos Reis Magos, paralisadas, e, a tão propagada verba do PAC das Cidades Históricas contingenciadas.
            Reconhecido como Patrimônio Histórico, protegido pela Lei do Tombamento, desde 1949, hoje o maior Patrimônio Cultural do Rio Grande do Norte, passa por serias dificuldades em sua preservação e como local de visitação turística e de educação patrimonial deixa muito a desejar aqueles que fazem uma visita ou uma aula de campo naquele lugar repleto de história, cultura e natureza.

Memórias:
preservadas/esquecidas

Abandono de memórias esquecidas
Desejo de restaurar histórias da urbe inexistente
Cidade respirando identidades mortas.
Paisagens silenciosas dizem muito de
Trajetórias de “gentes”, aflições, conflitos de “eus”,
Marcas construídas por gerações inteiras,
Erguidas, demolidas, ao longo do tempo.
Preservar significados cheios de testemunhos
Ver o cotidiano ser construído nas esquinas
Entre alegrias, tristezas, construções oportunas/oportunistas
Erguem muros de exclusões
Em vias contrarias nascem utopias
Erguem pontes de inclusão,
Caminha a urbe deixando pegadas
Preservadas ou esquecidas!!
(Luciano Capistrano)

            Faz necessário, diante do quadro a cheirar abandono, que os órgãos responsáveis pelas políticas preservacionistas se articulem com o objetivo de desenvolverem esforços conjuntos, na perspectiva de realizar intervenções em três linhas especificas: Patrimônio, Educação e Turismo. Deste modo, garantindo aos visitantes e aos habitantes de Natal a utilização da Fortaleza dos Reis Magos, para fins de preservação patrimonial, de educação e do turismo.
            As ações passadas devem servir de parâmetros educativos, não podemos improvisar na formatação e execução de projetos de revitalização de sitio histórico/ambiental, tão importante como é a Fortaleza dos Reis Magos, neste sentido, nos valemos do conselho do historiador Carlos Lemos:
A nosso ver, o ‘como” preservar o Patrimônio Ambiental Urbano depende de providencias em dois campos. O primeiro deles é ligado ao planejamento, ao projeto de recuperação, ou revitalização de núcleos de interesse documental ou artístico, somente possível após exaustivos levantamentos de natureza variada. O segundo campo é aquele decorrente da implantação do projeto e tem fundamentalmente um interesse social já que, ao se intervir num imóvel, se está intervindo na vida de seu ocupante. (LEMOS, Carlos A. C. O que é patrimônio histórico. São Paulo: Editora brasiliense, 2008, p.95)

            O improviso em políticas preservacionistas podem trazerem danos irreparáveis ao patrimônio histórico, assim, desejo que os entes federativos, UNIÃO, ESTADO e MUNICIPIO, juntem forças para fazer da ZPA – 07 , um lugar de encontro do rio Potengi com o oceano Atlântico, com suas belezas naturais e culturais, a despontar o moderno a Ponte Newton Navarro e o antigo, a Fortaleza dos Reis Magos, como lugar de nossa história, a ser visitado, a ser apreendido, através dos Guias de Turismos  e dos Professores, ao dialogarem em visitas de lazer ou nas aulas de campo, sobre os construtores do povo Potiguar. Fica o desafio posto, este é o objetivo primeiro deste artigo.Uma Fortaleza, um Patrimônio Histórico: muitas reflexões!!

            

28 de março de 2017

O BARBA TIMÃO


Newton Lins Bahia

   A quem viajar no mês de março para Goiás, pega safra em Quirinópolis, Divinópolis e Santa Helena. Lá meio veio, o dinheiro rola que nem pulga em cachorro. Pois foi em Santa Helena que estive com o veínho do pau. Vinha lá das bandas do Juazeiro do meu Padim, Pade Ciço. Estava na praça da feira, arrodeado de matuto curioso. Me aprumei e tomei chagada.
- Eita, meu veinho do pau! No chão, bem pertinho assim, estava a arrumação: um pilão grande de pilar ervas, o ajudante teimoso e uma ruma de pau. O veinho estava virado na peste:
- Veja ai à sucupira branca, dizia ele. É muito boa para a coluna. Triste de um cristão que sofre de coceira, pano branco, pano preto, impinge, que não tenha em mãos a batata-de- pulga com a cabeça-de-nego e o velame branco. Essa mistura é um santo remédio! Inda a pouco me chegou uma muié já dando passamento para morrer. Esse / veinho aqui, preparou a camomila e a muié tomou. Resultado: parou / de gritar e ficou boa. Diga quem foi que curou? Foi Jesus e a garrafada do veinho do Juazeiro! Veja bem: se o matuto perguntar se tem água na garrafada, eu lhe respondo: não que apodrece. Se o matuto / insistir: É cachaça? E o veio do pau, muito brincalhão da cada / ingúio com nojo... E diz assim:
- A cachaça, a aguardente, tira inté à vergonha de quem tem, a muié, a saúde, o cavalo... Vamos colocar a Jurubeba, que você pode inté esta caçando o canto de morrer; o individuo pode estar amarelo que nem flor de algodão, tomou a Jurubeba – é bater e valer. Não tem dieta de nada. Coma peixe, camarão, carne de porco. Só não como pimenta nem o suco do tal lima. Eita, meu veinho de pau!
Aqui ó, e mostra a catuaba pra deixar veio virado no jumento da Paraíba. Se você quer morrer? Morra! Aqui ó, u, santo remédio / para gastrite. E a tal da ameixa. Tá com queimor, uma úlcera, uma / azia? Olhe meu véio, que tem gente que quando fala, a boca fede / mais do que uma carniça, e não é na boca não.
- Donde é meu véio? Pergunta o matuto assustado.
- É do estomago! Quem curou? Foi Jesus, foi Nossa Senhora das Dores, a padroeira do Juazeiro! Essa aqui é a tal da quixaba.
Serve para dor nos ossos, dor nas pernas, dor na coluna de quem esta sem poder andar. Meu povo, este aqui é o Jamborandi, para quem tem gastrite. Pode inté esta vomitando sangue...
- Ô meu véio, que planta é essa? Pergunta o matuto. – É a tal da urtiga branca. Não tem pelo, não queima ninguém. Pode vir aqui muié com problema de útero, ovário ou seja lá o que for, que a urtiga branca resolve.
- Ô meu véio, ainda vem tem mais?
- Agora é que tem! Este aqui é o tal do barba-timão, bom para próstata crescida, inflamada, inchada... o freguês pode inté urinar / sangue meu véio. Agora, as ervas que são pisadas do pilão: a camomila para pressão alta e coração inchado. Vamos colocando sucupira branca, a erva doce, alecrim-pata-de-vaca para diabetes; anil o lado... Esse aqui é a Catuaba que levanta a moral. A folha de boldo, a goma de batata-de-pulga com a cabeça-de-nego para limpar a pele e o sangue; o pano branco e o pano de preto... O individuo pode inté esta largando o couro meu véio. Ai você pergunta:
- Diga quem me curou? Foi Jesus e a garrafada do veinho do Juazeiro!
- Eita, meu veinho do pau! ...

“ Este trabalho é um fragmento do meu livro inédito “VÁRZEA ALEGRE”.

24 de março de 2017

Avenida Chegança, um lugar, muitas reflexões!



Luciano Capistrano
Professor: Escola Estadual Myriam Coeli
Historiador: Parque da Cidade

Chegança

Chegança das
Andanças
Centro
Versus periferia
Caboclinhos soa ritmos
Cotidiano
Sem simulacros, vida real
Tijuana
Boa esperança, juventude
Violentada!
Crente/descrente
Cria/recria
Periferia
Versus centro
Movimentos circulares
Resistir é preciso, viver não é preciso
Diria o poeta de além-mar!!
(Luciano Capistrano)

            Em Nova Natal, existe uma avenida que pulsa “vidas”, me refiro a avenida da Chegança, lugar de sociabilidade, daquele conjunto habitacional, localizado no bairro de Lagoa Azul, região norte da cidade de Natal. Quando iniciei meu fazer pedagógico na Escola Estadual Myriam Coeli, passei a frequentar mais intensamente essa avenida, que se constitui na verdade, no centro econômico muito além do conjunto, transformou-se ao longo do tempo numa referência comercial do bairro. Falar na Chegança é dizer de um lugar a povoar o imaginário da comunidade equivalente ao relógio do Alecrim. Os moradores possuem uma relação de pertença, de memória com a avenida do comercio, da feira, do desfile de 07 de setembro, das conversas nas esquinas, dos encontros,enfim, existe uma relação afetiva da comunidade ou para além da comunidade, com a bela avenida repleta de histórias.
            O comercio de rua lembra o Alecrim, suas lojas, as calçadas com a exposição de produtos, os vendedores a oferecer aos transeuntes produtos e serviços, um corre, corre, de gente de um lado a outro, podemos até dizer, parafraseando o slogan comercial do Alecrim, “na Chegança, tudo encontra”.
            A feira de todos os domingos, exerce papel fundamental na construção da avenida da Chegança, como polo comercial, neste ponto, encontra-se mais um elo de aproximação com o bairro do Alecrim.
            Uma corrente de pequenos e médios comerciantes, a produzirem rendas e receitas, deste modo contribuindo para o erário municipal e, claro, empregando considerável contingente de mão de obra, antes obrigada a atravessar a ponte, hoje, fazendo parte dos trabalhadores do próprio bairro, não sendo necessário o deslocamento para o “outro lado’ da cidade.

Nova Natal

Dos Caboclinhos
Chegarei
A Chegança
Irei na nau catarineira
Descrita pelo mestre Deífilo
Navegarei em agitadas águas
Beberei
Da cultura popular
Onde
Jogarei a âncora
Em sua feira
Habitat de humanidade
Diversa, plural
Do Gramorezinho
A Boa Esperança
No meio do caminho
Tem uma
Nova Natal.
(Luciano Capistrano)

            Ao trazer essa reflexão, amigo velho, faço uma provocação com o objetivo de dialogarmos sobre os fazeres deste lugar da cidade, de uma importância socioeconômica a extrapolar os limites dos bairros e até das regiões administrativas, tal o volume de emprego gerado neste logradouro.
            Faz necessário pensar o desenvolvimento sustentável, olhar o pequeno comerciante, o empreendedor, desde a manicure, até o empresário do supermercado, assim, o Executivo Municipal, a Casa Legislativa do Município e todas as Instituições sociais, tem um papel preponderante na garantia de crescimento inclusivo e não excludente da economia desenvolvida na avenida da Chegança.

  O Alecrim é na Chegança

Folguedo, tradição além-mar, mouros, cristãos,
Brincantes natalinos, lembranças do Mestre Deífilo Gurgel,
Ruas nomeadas em Nova Natal a cultura popular está presente,
Sejam caboclinhos, pastoril, fandango, Araruna ou Chegança,
O morador olha a placa da esquina, consciente ou inconsciente,
Respira na fonte de Chico Santeiro, Dona Militana ... sob o dicionário de Cascudo!

Nova Natal, conjunto habitacional, erguido na década de 1980,
BNH, COHAB, famílias construídas, desconstruídas, memórias vividas,
Bairro Lagoa Azul ,Gramoré, Gramorezinho, Boa Esperança, Nordelândia,
Lugares urbanos com cheiro de rural, rio Doce resistente, testemunha atemporal.

ZPA-9, Zona de Proteção Ambiental, fauna, flora, vida,
Lugar de pura beleza, pulsar de vidas, protegida, desprotegida,
Transporte, Saúde, educação, segurança, praças sujas, abandonadas, vazias,
Agonia de gerações inteiras, construindo alternativa de vida.

O Alecrim é na Chegança, lugar de sociabilidade, encontros, desencontros,
Compra, venda, namoro, amores permitidos/proibidos, amigos, inimigos,
E domingo? Domingo é dia de feira!
(Luciano Capistrano)

            Ao finalizar este artigo, faço uma referência a questões como juventude, meio ambiente, sustentabilidade, para centrar nesta tríade e verbalizar a necessidade do município de Natal, através dos “tentáculos” da Prefeitura, sempre pautada em uma agenda de diálogo com a comunidade, possa intervir em ações solidarias e constituídas de cultura, educação, lazer, esporte, enfim, criar um leque de possibilidades para fazer das praças, das ruas, dos lugares vazios - eu diria, abandonados pelo poder público e entregues aos “ócios” geradores de violência -, espaços geradores de uma cultura de paz.

            Avenida Chegança, um lugar, muitas reflexões! Eis o convite ou a provocação deste escriba a olhar a urbe e seus desafios.   
    

21 de março de 2017

QUANDO O BRASIL COMEÇOU A FALAR



Bené Chaves

                   As primeiras experiências sonoras no país foram realizadas entre 1927/29 através de filmes (curtos) produzidos por Luis de Barros, Paulo Benedetti e outros. E nossa primeira fita de longa-metragem(falada, evidentemente) foi ‘Acabaram-se os otários’(29), dirigida pelo Luis de Barros, enquanto o primeiro filme-revista viria logo depois com ‘Coisas Nossas’(30/31), do norte-americano Wallace Downey, que era o diretor da Colúmbia e representante local de Byington & Company.
                   O som, finalmente, seria dominado  com ‘Carnaval em 1933’ que a equipe de Fausto Muniz realizara. A seguir lançaram ‘A voz do carnaval’, uma realização da dupla Ademar Gonzaga e Humberto Mauro com equipamentos já importados. E em 1935, associando-se ao Downey, Gonzaga inaugurava o filme pré-carnavalesco ‘Alô, alô Brasil’ e no ano seguinte repetiria a dose com ‘Alô, alô Carnaval’ que teve maior sucesso e formaram as primeiras platéias do cinema brasileiro.
                   No mesmo ano o Oduvaldo Viana fazia ‘Bonequinha de seda’, pretendendo, com padrões técnicos sofisticados, transplantar o modelo hollywoodiano para nossa região. Seu outro filme(‘Alegria’) ficaria inacabado em face de um desentendimento com o Ademar Gonzaga.
                   Mas, foi em 1937 que três películas anunciaram a maturidade do som: o cineasta Humberto Mauro realiza obra de reconstituição histórica em ‘O descobrimento do Brasil’; o Raul Roulien(‘Aves sem ninho’/39)  faz
‘Grito da mocidade’ e tenta mostrar que aprendeu o dinamismo americano; e Mesquitinha realiza obra de inspiração chapliniana com ‘João ninguém’. Contudo, a produção de filmes de ficção que já era diminuta na década de 30, quase acabou no início da seguinte.
                   Entre os anos de 1944/54 surgiram Oscarito e Grande Otelo que encarnaram a gíria do momento e estabeleceram um primeiro clima de intimidade com o público. Filmes como ‘Carnaval no fogo’(Watson Macedo), ‘De vento em popa’ / ‘O homem do Sputnik’, ambos de Carlos Manga e ‘É com este que eu vou’(José Carlos Burle) mostraram os (tre)jeitos desengonçados dos dois grandes humoristas da época.
                   No entremeio, contudo, apareceram também as figuras de Ankito e Zé Trindade. Foram todos eles, sem dúvida, os primeiros nomes de bilheteria das ditas ‘chanchadas nacionais’. Porém, acredito que sim, nenhum que se comparasse ao iniciante ator de origem luso-espanhola.
                   Também e paralelamente(na década de 50)começaram a surgir novas mentalidades. Um grupo de jovens rebelou-se contra o falso populismo das chanchadas e produções advindas da Vera Cruz. E fitas como ‘Agulha no palheiro’(Alex Viany, 53),‘O canto do mar’(Alberto Cavalcanti, 54), ‘Rio 40 graus’(Nelson P. dos Santos, 55), ‘O grande momento’(Roberto Santos, 58) e outras, começaram a aflorar na nossa cinematografia.
                   Em documentários (curtos) como ‘Arraial do Cabo’(Paulo César Sarraceni, 59) e ‘Aruanda’((Linduarte Noronha, 60); em ficção como ‘Couro de Gato’(J. Pedro de Andrade, 60) e ‘O menino da calça branca’(Sérgio Ricardo, 61), o movimento tenderia a tomar forma mais precisa. E por volta do começo dos anos 60 já se falava no que seria chamado de Cinema-Novo.
                   Filmes muitos surgiram e contribuíram para a renovação do nosso cinema brasileiro, como ‘Barravento’(Glauber Rocha, 61), ‘Porto das Caixas’( Sarraceni, 62), ‘Os Cafajestes(Rui Guerra, 62), ‘O pagador de promessas’(Anselmo Duarte, 62) e outros. Daí em diante, portanto, o lema seria de ‘uma câmera na mão e uma idéia na cabeça’, sentença proferida pelo Glauber Rocha e contestada por alguns que se diziam independentes.
                   Mas, ‘o que a gente pode ver hoje é que o resultado principal do Cinema-Novo foi a afirmação cultural do cinema brasileiro’, dizia depois o Nelson Pereira dos Santos. E a sua maturidade foi atingida, principalmente, a partir de ‘Vidas Secas’(1963), versão baseada no vigoroso romance de Gaciliano Ramos e que o próprio Nelson dirigiu.      
                   Então, a literatura de cordel, os cantadores das feiras nordestinas, o mundo mítico e místico de um povo sofredor e fanático nas suas crenças religiosas e sempre atuantes, fizeram surgir um mentor que já iniciara a visão de um período. E reaparece o Glauber Rocha com ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’(1964), para alguns, o melhor filme brasileiro de todos os tempos. Acreditamos que tal fita imortalizou o saudoso cineasta.
                   Tivemos, a partir deste momento, alguns nomes importantes na cinematografia nacional.  Bom... Porém aí já é outra história...     
                         


20 de março de 2017

Revista Maturi , pelos caminhos do Rio Grande do Norte, contando novas historias


QUADRINHOS  QUE RETRATAM A LUTA DIÁRIA DE DIFERENTES GRUPOS SOCIAIS



Luiz Elson

Os desenhistas que produzem a revista em quadrinhos Maturi ,aprovaram um novo projeto pela Lei Estadual de Cultura , a Lei Câmara Cascudo , e pretendem em 2014 produzir seis edições com histórias em quadrinhos que abordem os aspectos culturais, fatos e curiosidades históricas, os costumes e as tradições das diferentes regiões geográficas do nosso Estado , para oferecer ao publico leitor informações, conhecimento e entretenimento em sua leitura .
Cada edição será dedicada a uma região do Estado, dividido geograficamente, sem critérios especificamente científicos ,ficando assim dividido : Grande Natal, Litoral Norte e Sul , Sérido, Agreste e Região Leste, Região Central e Salineira e Oeste , de modo que se proporcione uma visão ampla das diferenças entre as paisagens de nosso pequeno Estado, porém de aspectos geográficos, fauna, flora, relevo , e humanos, distintos buscando uma representação imagética dos diferentes grupos étnicos que formam a nossa identidade potiguar.
A Revista Maturi é uma publicação cultural que existe em nosso Estado há quase 40 anos, ela já passou por diferentes fases de publicação, desde a sua criação em 1976 por Aucides Sales, Enoch Domingos e editada por Francisco Alves quando teve sete números lançados , ou em 1982 quando voltou a ser editada por Aucides , que formou uma nova geração de artistas, sendo editadas mais de 16 revistas e por fim em 2007, quando da implantação de um projeto cultural da Lei Câmara Cascudo que publicou seis edições no formato que agora terá continuidade .
As histórias em quadrinhos atualmente exercem uma forte influência sobre a cultura de massa imposta a nossa população, além das revistas , seus personagens são utilizados em filmes, na decoração de diferentes produtos da industria, em series de televisão, na estamparia de camisetas e são objeto de estudo em teses de diversas áreas do conhecimento , se incorporando definitivamente no cotidiano de crianças , jovens e adultos .
Muitos personagens de histórias em quadrinhos exercem uma sedução, um culto e um processo de identificação sobre muitas pessoas que ainda é um processo em construção da sociedade urbana contemporânea , mas essa influência não tão ingênua e juvenil como parece , carrega junto com as imagens que a constituem , toda uma ideologia ,política e planejamento de dominação cultural e econômica .
As imagens exercem um poder e uma saber que interferem na forma como interpretamos o mundo gerando o conhecimento que construímos sobre as influencias que sofremos ,a partir da leitura que temos do mundo , realizamos nossas escolhas , daí a importância de se fazer e saber fazer a leitura de diferentes imagens, pois elas proporcionam se ter visões diferentes sobre um mesmo tema .
A industria cultural , nela incluído as histórias em quadrinhos , impõe seus valores , muitas vezes não tão democráticos, mas em nome do entretenimento difundem a injustiça social, a
gloria do heroísmo baseado apenas na vitoria pela força bruta ou pelo poder financeiro, a manutenção de preconceitos e a apatia as lutas das classes populares ou de grupos de pessoas que vivem a margem da sociedade, propagandeada como ideal pelo sistema capitalista industrial, agindo desta forma para impor uma visão de mundo de forma subjetiva . A exaltação de um tipo de cultura dominante imposta por interesses comerciais não pode ser a única fonte de construção do pensamento de uma pessoa .
A importância de uma publicação que valorize um olhar diferente sobre a beleza de realidades que existem mas parecem ser invisíveis ao mercado , já justificaria esse projeto , a revista Matur i se propõe a mostrar , a revelar imagens da nossa cultura, uma cultura urbana e rural , uma realidade e uma história que muitos não conhecem ou não tiveram a oportunidade de conhecer pelos historias em quadrinhos que leram.
Contar histórias, em textos, linhas, texturas e formas que apresentem a nossa riqueza cultural contidas nas lendas, nos mitos, nas histórias e estórias, nos causos, nas anedotas, nos retratos e expressões do povo são objetivos desta publicação, que também possibilitara a vários artistas a criação de desenhos referenciados em nossa paisagem natural, de modo que interpretem nosso presente e passado , onde um os personagens principais será a própria natureza com suas serras, rios,arvores, rochedos e a imensidão do mar .
Percorrendo os caminhos do Rio Grande do Norte , a revista Maturi deseja mostrar ao publico que ler quadrinhos e a novos leitores , a beleza da nossa diversidade artística , da arquitetura das construções erguidas pelo conhecimento e trabalho de nosso povo e da alegria em viver incorporada nas histórias de vida das pessoas que constroem nossa história e cultura.
Gostaria por fim a convidar ao empresariado a apoiar essa iniciativa e patrocinar esse projeto cultural destinando parte do pagamento de seus impostos para a lei Câmara Cascudo entrando em contato com Luiz_ Élson @hotmail .com .